Nunca pensei que pudesse acontecer-me. Se calhar foi precisamente por isso, por não perceber o perigo, por baixar as defesas, que aconteceu. Depois de tanto tempo continuo a não acreditar que me aconteceu. Não consigo deixar de culpar-me a mim mesma, pois não consigo entender o porquê deste sentimento tão forte e tão avassalador ter penetrado de forma tão entranhada dentro do meu peito... Às vezes sinto que envio mensagens contraditórias a Deus, porque todos os dias Lhe peço que me ajude a ultrapassar este sentimento, todos os dias Lhe rezo pela tua fidelidade, pela fidelidade ao sacerdócio do padre por quem me apaixonei, todos os dias Lhe peço que o homem e o padre permaneçam indissociáveis, mas... Não é com o coração que devemos rezar? Não conhece Deus o íntimo do meu coração? Não é a minha razão que percebe que outra realidade seria insustentável, não é da minha razão que surge o respeito pela tua condição de Padre? Estarei eu a ser hipócrita nas minhas orações? Apaixonei...