Hipócrita

Nunca pensei que pudesse acontecer-me. Se calhar foi precisamente por isso, por não perceber o perigo, por baixar as defesas, que aconteceu. Depois de tanto tempo continuo a não acreditar que me aconteceu.

Não consigo deixar de culpar-me a mim mesma, pois não consigo entender o porquê deste sentimento tão forte e tão avassalador ter penetrado de forma tão entranhada dentro do meu peito...

Às vezes sinto que envio mensagens contraditórias a Deus, porque todos os dias Lhe peço que me ajude a ultrapassar este sentimento, todos os dias Lhe rezo pela tua fidelidade, pela fidelidade ao sacerdócio do padre por quem me apaixonei, todos os dias Lhe peço que o homem e o padre permaneçam indissociáveis, mas... Não é com o coração que devemos rezar? Não conhece Deus o íntimo do meu coração? Não é a minha razão que percebe que outra realidade seria insustentável, não é da minha razão que surge o respeito pela tua condição de Padre? Estarei eu a ser hipócrita nas minhas orações? 

Apaixonei-me pelo homem, contudo, na minha forma de ver, o ser padre faz parte do homem que tu és! E, talvez por isso, não te imagino feliz de outra forma, penso que jamais serias feliz sem o sacerdócio, não serias um homem completo.

Tu és de todos. Tu és de Deus e só assim faz sentido por mais que me doa.

Comentários

  1. Este texto é meu. Foi escrito em comentário no blog do Confessionário dum padre, embora na terceira pessoa. Embora seja um comentário anónimo, teria ficado bem dar o crédito de que o texto é de outra pessoa.

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