A queda livre (raios partam os áudios do Whatsapp)
Na 2ª feira liguei-te. Não sabia nada de ti à uma semana e tinha saudades tuas. Atendes-te e ficámos a falar quase uma hora.
Foi tão bom. Como eu desejo que isto acontecesse todos os dias, escutar-te não é nenhum sacrifício, pelo contrário, é bom demais. É tão bom quando me perguntas como estou e ficas a ouvir-me. É tão bom quando desabafas comigo as tuas preocupações, sobre a tua família, a tua paróquia, os teus projetos...apaixono-me ainda mais por ti.
Perguntaste-me como seria o dia seguinte (o meu marido, o R. [este blog é anónimo e como devem perceber tudo o que escrevo e as pessoas que fazem parte serão sempre mantidas no anonimato] faz anos) e, disse-te que desta vez não haveria festa como é habitual, porque as miúdas estão doentes (as minhas filhas), percebo as tua pergunta porque és convidado habitual.
A chamada terminou e senti-me feliz. Estar contigo faz-me tão feliz!
No dia seguinte, foi o aniversário do R., passámos o dia juntos a comprar coisas para a nossa nova casa mas o meu pensamento está sempre noutro lado, está sempre em ti. O dia custou a passar.
À noite jantámos com os meus sogros numa espécie de mini festa e cantámos os parabéns. O jantar terminou cedo, pois era dia de semana e as miúdas estavam doentes. Às 22h30 já estavam a dormir cada uma no seu quarto e eu já estava mais para lá do que para cá, quando oiço qualquer coisa que o R. gritou no meio do corredor, a descer as escadas à pressa"... o Padre M....!". Dei um salto da cama (sim que eu estava deitada e de pijama, prontinha para ir dormir) e pensei "não acredito nisto! São 23h30 e ele aparece-me agora!". Desço as escadas e parecia um cenário de filme estilo comédia romântica, numa ponta o meu marido a vir da porta de entrada e na outra ponta tu! Fiquei de tal maneira que não sabia para que lado me virar. Virei-me para ti e abracei-te...tão bom aqueles segundos, lembro-me de estar agarrada a ti e pensar o quanto desejava puder prolongar aquele abraço quente e aconchegante. Mas rapidamente tive de me separar de ti e do teu corpo.
Atrapalhada fui para a cozinha arranjar umas fatias do bolo que tinham sobrado. Enquanto isso, falavas com o R. e começaram a beber "Favaios". Fomos para a sala e sentámo-nos à mesa. O meu corpo todo tremia mas o meu autocontrolo funcionou bem e acho que ninguém notou. Esforcei-me muito para que ninguém se apercebesse, tal como tenho feito desde sempre. Quando sais-te pedi-te como sempre para me mandares uma mensagem a avisar que chegaste bem. Nessa noite fiquei acordada até às 4:00 da manhã à espera de notícias tuas. Nada. Fiquei preocupada e triste pois percebi que tinhas estado online, só te tinhas "esquecido" de me avisar que estavas bem. Mal dormi.
No dia seguinte mandei-te uma mensagem chateada. Pedi-te desculpas pois sei que não tens de me dar justificações mas que teria sido simpático da tua parte teres dito alguma coisa. Respondeste-me horas depois e com uma mensagem que dizia: " sono é uma coisa que tenho sempre. Antes de sair avisei-a para não se preocupar. Tens de me tirar do teu leque de preocupações". Tenho de confessar que fiquei muito aborrecida com esta mensagem. Mas sabia que era verdade. E doía-me o coração por saber isso.
Fiquei a pensar naquilo que tinhas escrito e senti que as coisas não estavam bem resolvidas. Por isso, decidi esclarecer as coisas e enviei-te uns áudios. Maldita hora! Foi a minha queda! Disse tudo o que devia e o que não devia nesse áudio. Nem consigo imaginar como te sentiste ao ouvir aquilo tudo. Deves ter ficado surpreso, depois chateado e sei lá mais o quê. Só sei que não fizeste nada do que te pedi. Senti-me em plena queda livre. E foi assim que destruí 10 anos de amizade.
Resta-me pedir-te desculpas.
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