Mensagens - 1 mês depois

 Um mês se passou e continuas sem me responder às mensagens...continuo sem perceber. Baralhas-me tanto a cabeça!

Se por um lado me atendes chamadas e estamos juntos muitas vezes nos fins de semana e estamos bem, como se nada se passasse, por outro lado não me respondes às mensagens. Até compreenderia se fossem mensagens com conteúdos que te pudessem colocar em situações complicadas ou até mesmo desagradáveis, mas não me responder a mensagens com assuntos tão triviais como um pedido para guardares os meus óculos de sol (que ficaram esquecidos no teu gabinete na semana passada) ou como uma correção de pronúncia porque dizes mal uma palavra (atenção que isto acontece várias vezes e é normal entre nós ou pelo menos eu acho que é normal e antigamente ele costumava responder a estas mensagens com correções ortográficas mas sinceramente já não sei nada...se calhar ele nunca achou isto normal) honestamente não consigo perceber.

Esta ausência de respostas da tua parte, leva-se a pensar várias coisas:

1- Por já saberes que tenho estes sentimentos por ti, qualquer interação que tenho contigo torna-se para ti incómodo ao ponto de ser desagradável e, por isso não respondes para não alimentar mais conversas (não faz sentido porque falamos por telemóvel e presencialmente quase todas as semanas e está sempre tudo bem entre nós);

2- Não estás com paciência nem para aí virado. Efetivamente qualquer pessoa que lide minimamente contigo sabe que andas com muito trabalho e extremamente cansado (fazes questão de demonstrar e de afirmar isso várias vezes). No entanto, há vários meses que esta tua atitude se tem tornado num padrão e portanto não creio que estejas assim com tão pouca paciência para me ouvires ou falares comigo durante tanto tempo;

3- Não sabes como deves agir. Ao mesmo tempo este argumento não faz sentido porque sempre que estamos juntos ages normalmente, abraças-me, alegras-te por me veres e estares na minha presença e o tempo que passamos juntos é bom;

4 - Evitas-me por teres medo que os meus sentimentos por ti aumentem ou que faça alguma coisa que não queres. Lá está, também não faz sentido porque se assim fosse, também não me atenderias as chamadas e tentarias evitar estar na minha presença, o que não acontece;

5 - Evitas-me porque tens medo dos teus sentimentos. Tens medo que as nossas conversas descambem e digas coisas que não deves...

Por mais voltas que dê não consigo compreender-te.

Apesar de seres uma pessoa bastante aberta, comunicativa, generosa, excelente ouvinte, amiga, consegues ao mesmo tempo ser muito fechado. Tudo o que toca à tua pessoa raramente é partilhado por ti. Não deixas os outros entrarem  tua vida pessoal e/ou profissional. Isso é algo que deixas apenas para pessoas muito especiais e que achas merecedoras. E é aqui que nos apercebemos o quão a tua educação te moldou e molda o teu presente. primeiramente através da tua família, tradicional, católicos fervorosos, pessoas de bem mas também muito moldadas nestes alicerces do ser correto, do fazer o bem, do fazer sempre o que é suposto fazer. Depois também a tua passagem pelo seminário. Algo que te marcou muito e te formou como adulto. No seminário, moldaram-te  para pensares de certa forma e tu, como excelente pessoa que és, assimilas-te tudo isso e tornaste-te no homem que era suposto seres quando saíste do seminário. Tudo isto perdura até aos dias de hoje e faz de ti o homem que és. Ao longo dos anos foste melhorando um pouco em relação ao pensamento fechado e foste devagarinho abrindo um pouco a mente, mas ainda tens marcas profundas que não consegues apagar e que sabes que ficarão contigo para sempre. E tudo isto me faz pensar que se calhar ainda estás a sofrer mais que eu. 


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