Saudades tuas
As saudades são a parte pior. Quanto mais tempo estou contigo mais vontade tenho de estar. Quanto mais te conheço mais te amo. Bolas!
Ultimamente os fins-de-semana são sempre junto de ti. Este sábado tivemos um Batismo (não como convidados mas a prestar serviço de coro). O D. (amigo em comum) convidou-me para ir cantar com ele. Aceitei porque adoro o D. e desde que as suas amigas mais próximas foram para Londres estudar que tenho sentido que devo ajudar o D. a não se sentir só, pelo menos no que toca às atividades paroquiais, mais precisamente no coro.
No fim do Batismo, vieste perguntar se queríamos ir almoçar. É claro que quero! Todas as oportunidades de estar contigo são uma bênção. Lá fomos com o D. e entretanto liguei à F. e ao C. (também amigos em comum) também para se juntarem a nós no almoço. Aceitaram e vieram. Foi bom. O vinho era fantástico. Vinho verde-branco caseiro...que maravilha! Bebi bastante, o suficiente para ficar alegre e começar a soprar (sempre que bebo um pouco começo a soprar).
No fim do almoço regressámos à Igreja para arrumar o material. O D. e o R. (meu marido) ficaram a tocar e a cantar coisas ao acaso, o que lhes apetecia...foi aí que fui ao teu encontro. Estavas no teu gabinete/escritório/secretaria. Entrei e sentei-me à tua frente...ficámos um pouco em silêncio...lá começamos a falar. Falei do facto do psiquiatra ter aumentado a minha medicação e das minhas crises. Depois perguntei-te como estavas e se sempre ias fazer o curso com o teu irmão. Disseste que não. Afinal não tinhas tempo (como se eu não soubesse)...depois começaram a chegar paroquianos para a missa e muita gente foi ao teu encontro. Deixaste de ter espaço e tempo para mim. Devagar afastei-me para dar espaço aos outros. Por vezes esqueço-me que não és meu, és de Deus e consequentemente, de todos. Tens muitos "filhos" como costumas dizer e todos precisam de ti e da tua atenção.
No dia seguinte não fui à missa, outros atividades e combinações se colocaram à frente e o dia passou. O pior foi à noite...Quando cheguei a casa as saudades vieram atormentar-me. Saudades de ti, saudades de estar perto de ti, saudades de ouvir a tua voz, saudades de ver como interages com todos (és tão bondoso, gentil, afável com todos. É de facto cativante a forma como te dás sem esperar nada em troca), saudades da tua presença...não sei porquê mas estar perto de ti faz-me sentir paz e tranquilidade, talvez porque para mim representas um porto seguro, um sitio onde posso ir sempre que quero, desabafar, chorar, rir, onde não existem julgamentos ou críticas, apenas existe vontade de ouvir, escutar e ajudar. Penso nisto e sorrio, a minha boca abre-se de orelha a orelha e os meus olhos iluminam-se mas depois lembro-me mais uma vez que não és meu e as lágrimas voltam aos meus olhos. És de todos e por isso não posso sentir saudades daquilo que não é meu nem nunca será, és de todos e serás sempre de e para todos.
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