Vens ou não vens?
Há umas semanas atrás fomos almoçar fora com alguns amigos. Nesse almoço combinámos um jantar na minha casa para celebrarmos a nossa amizade. Perguntei-te qual o melhor dia para ti e disseste que o único dia livre que tinhas seria o dia 03 de dezembro. Apesar de ser uma 6ª feira e não dar muito jeito para quem estará sozinha e terá de programar um jantar para 8 pessoas, compreendi perfeitamente. Sei que a vida de padre é complicada e ainda mais nestas quadras, como no natal e na páscoa. Costumo dizer-te ,em jeito de brincadeira, que quando começa o advento já só nos veremos depois da Páscoa!
Passaram-se algumas semana e a uma semana do jantar perguntei-te por mensagem no whatsapp se te lembravas da combinação. E sabem que mais? Ele respondeu! Mas a resposta não foi a que esperava..."Qual jantar?", disse ele. Respondi-lhe que tinhamos combinado no restaurante e ele respondeu que não se lembrava e que não poderia ir por ser inicio do advento. Agradeci-lhe a resposta e mais nada disse. Achei um pouco estranho porque o jantar será na 2ª semana do advento e não na primeira mas confiei.
Passado uma meia hora, o telemóvel toca. Era uma mensagem dele! Dizia: "mas o jantar é nesta 6ª?". Eu respondi: "Não mas se puderes passa a ser!".
Conclusão: ele confundiu os dias e afinal pode na data prevista. As mensagens sempre curtas e sem grandes coisas. Nada iguais às do antigamente. Às mensagens antes dele saber de tudo, onde, pelos vistos, ele se sentia livre na amizade. Pelos vistos já não se sente...as ausências de respostas e respostas curtas isso demonstram.
Mais uns dias se passaram e fui à sua paróquia à eucaristia. No fim, esperei por ele. Quando chegou perto de mim, cumprimentou-me de forma seca e mal me olhou nos olhos, apenas com um bater de punhos (como se faz agora por causa do distanciamento social a que a pandemia nos obrigou). Esta forma de estar tem vindo a tornar-se cada vez mais usual (da parte dele) e magoa-me muito. Quando se ia embora perguntei-lhe: "Afinal vens ao jantar ou não?" e a sua resposta foi: "Não sei!".
Fiquei um pouco triste, não propriamente pela tua resposta mas sim pelo teu afastamento e frieza. Lembrou-me naquele dia em que me disseste para me consolar com sapatos (porque têm sola), perceberam?
Na verdade, a dúvida paira no ar...vens ou não vens? Ainda te enviei uma mensagem ontem a dizer-te que todos tinham confirmado menos ele...mas, como de costume, nada me disseste...
Vens ou não vens? O melhor é não contar contigo...
Vens ou não vens? Ainda tenho uma esperança vã, lá no fundo, bem no fundo, pois não me quero iludir.
Vens ou não vens? Amanhã saberei.
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