Ano novo, esperança renovada
O ano novo chegou. Não aguentei avançar para o novo ano sem te enviar uma mensagem. Escrevi muitas coisas. Muitas coisas que só o meu coração sabe. Como sempre não me respondeste. Fiquei triste. Desejei muito estar perto de ti.
No dia 2 de janeiro de 2022, fomos jantar a casa do C. e da F. novamente. Dessa vez o R. (o meu marido) e as minhas filhas também foram. É sempre mais complicado quando ele e elas estão presentes.
O C. e a F. tinham nesse dia uma tartaruga, a Riscas, lá em casa. Os vizinhos tinham-lhes pedido para tomarem conta da sua tartaruga enquanto estavam de férias. Confesso que me faz muita impressão mexer em bichos no geral, portanto não excluindo tartarugas. Apercebeste-te disso e começaste a meter-te comigo e com as miúdas que também estavam com medo da tartaruga. Passámos o resto da noite a rir da tartaruga porque, assim que nos apanhavas distraídas colocavas a Riscas perto de nós para nos assustarmos. Foi muito divertido. No fim do jantar, sentaste-te no sofá da sala e desafiaste-me a pegar na tartaruga. A minha filha mais velha olhou para mim e nesse momento percebi quetinha de ser forte para ser exemplo para ela. Enchi-me de coragem e peguei na Riscas com as minhas duas mãos e disse: "Estás a ver filha, não custa nada. As tartarugas não fazem mal".
Logo de seguida tive de me sentar. Estava a tremer pois aquele momento tinha aumentado os meus níveis de medo e receio de pegar em bichos, mas fiz-me de forte. Sentei-me no sofá, estavas numa ponta e eu na outra. O R. continuava sentado à mesa a falar com o R. Quando dei por mim tínhamos a minha filha mais velha deitada no sofá com a cabeça nas minhas pernas e as pernas dela nos teus joelhos. Passado um pouco, pediu uma manta pois queria tapar-se, estava com frio. A F. foi buscar uma manta e tapou-a, deixando as nossas mãos por baixo da mesma. Fui acariciando a minha filhota com as minhas mãos por baixo da manta. Tu começaste a fazer cócegas à miúda por baixo da manta e quando nos apercebemos tínhamos as nossas mãos encostadas uma à outra. Consegui sentir o calor que o teu corpo emanava. Durou alguns minutos (2 ou 3) e depois a miúda decidiu sair do sofá e deixei de sentir a tua mão.
Não sei o que isto significou. O que sei é que deixaste isto acontecer. Sentiste a minha mão e deixaste-te ficar a sentir o carinho e o calor do toque entre as nossas mãos.
Naquele momento senti que o novo ano traria muita esperança renovada em nós.
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