Calma
Era dia 26 de dezembro de 2021. O C. e a F. tinham convidado a grupeta do costume para um jantar.
Fui mais cedo para ir à missa. No fim, encontrei o C. e a F. e eles disseram-me para ir falar contigo para confirmar se ias jantar connosco ou não. Entrei novamente na igreja e estavas sozinho a ajeitar o lampadário. Viste-me e ante que pudesse dizer alguma coisa perguntaste-me se ia a casa do C. e da F. Muito rapidamente te respondi. Disse: "Não sei...tu vais?". Ao qual respondeste:" Vou, mas tu não vais?". Deixei a resposta no ar.
Saí da igreja e meti-me no carro. Fui direita à casa do C. e da F. Passados poucos minutos tocou a campainha. Eras tu. Entraste e abraçaste-me. Lembro-me que estava chateada contigo. Não sei qual o motivo mas recordo-me que estava de "trombas" contigo. Assim que entraste foste para a cozinha ter connosco. O C. foi logo buscar 4 copos e encheu-os de moscatel de setúbal. Brindámos como fazemos sempre. Durante o brinde, deixaste-me para último. Fizeste questão que o teu "tchin tchin" comigo fosse especial. Batemos os nossos dois copos um no outro e olhaste-me nos olhos com aquela intensidade que sabes que não aguento. Esses teus olhares mexem muito comigo.
A noite foi fantástica. Jantámos e rimos muito. A meio do jantar, movi a coroa de centro de mesa para o lado para arranjar espaço para colocar a travessa de comida quente que a F. trazia nas mãos. Foi quando senti algo muito quente no braço, estava a queimar a manga do meu vestido! Fiquei com um buraco enorme na manga. Rimos muito pois aquela vela tinha a chama da Luz da Paz de Belém.
Já no fim do jantar, a F. disse que tinha runas lá em casa. Mudaste completamente de postura. Começaste a ficar irritado. Disseste para eles as deitarem fora pois só deveriam louvar a Deus e nada mais. Quando nos apercebemos já estava o C. a retirar do móvel da sala uma figura de porcelana de uma mulher com uma bola de cristal nas mãos. Estavas visivelmente irritado. Começaste a falar com alguma agressividade e disseste que aquilo deveria ser jogado pela janela fora. Agarrei-te no braço e disse-te para teres calma. Acatas-te as minhas palavras e acalmaste-te.
O resto da noite correu bem. Estávamos muito felizes. Parecíamos um casal a conviver com outro casal. Foi bom.
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