O jantar em que me disseste que não me queres estragar
Chegou o dia do nosso jantar. O dia tão aguardado. De manhã recebi uma mensagem tua. Fiquei mais uma vez surpreendida pois nunca respondes a nada. Na mensagem perguntavas se sempre tínhamos encontro hoje. Respondi-te que sim e de imediato disseste que como não te tinha dito mais nada não tinhas a certeza. Depois destas palavras imaginei logo que não tinhas apontado na agenda e que tinhas marcado outro compromisso (típico de ti). Disseste que não mas que estavas cansado e cheio de trabalho. Aproveitei e também falei de mim. Disse que também estava cheia de trabalho e que também estava cansada. Ocorreu-me perguntar-te se preferias passar o nosso encontro para outro dia de forma a que pudesses descansar. Respondeste que não ao qual eu respondi que assim sendo, logo partilharíamos uma garrafa de vinho para aliviar. Não me respondeste mais.
Nesse dia sai mais cedo do trabalho. Cheguei bem cedo à Igreja da Paz onde ias presidir a eucaristia. Cheguei tão cedo que me foi possível rezar as vésperas com a tua comunidade e contigo (normalmente reza-se sempre antes da missa). Quando estava à procura de lugar para estacionar, olhei para o meio da rua e vi que vinhas (a pé) com a D. Etelvina para a Igreja. Virei para a esquerda e vi que meteste as mãos na cabeça e fizeste o gesto com o dedo como que me dizendo que não podia fazer aquilo. Percebi logo que estava em contramão. Comecei a rir-me e apercebi-me o quanto tu me desconcentras. De tal forma que até cometo infrações do código da estrada.
Estacionei e entrei na Igreja, estavas no gabinete em rente ao computador de costas para a porta. Entrei e disse: "Tenho de me ir confessar que entrei numa rua proibida!" e ri-me mas não me ligaste nenhum e continuaste a escrever ao computador. Sai e sentei-me nos bancos. O C. e a F. chegaram e sentaram-se ao pé de mim. rezámos as vésperas e a missa. No fim, estava à tua espera mas vi que um casal de jovens se aproximou de ti e ficaste a falar com eles. Decidi sair da Igreja e aguardar cá fora. O C. e a F. também estavam cá fora pois tinham o carro deles estacionado em frente ao meu. Ficámos a falar perto dos carros e de repente ouvi uma voz a chamar-me. Era o Sr. Cavaco (um senhor idoso que pertence à comunidade) que me queria dizer que o P. M. pediu para ele me pedir para esperar por ele e para que não me fosse embora. Fiquei contente. Se o meu coração tivesse boca estaria a sorrir naquele momento. Continuei a falar com os meus amigos cá fora e finalmente chegaste. O C. e a F. estavam a sair do estacionamento e eu estava a ajudá-los a sair de lá dando indicações de manobra. Chegaste perto de mim e disseste: "Vamos?". Olhei para ti e disse que se preferisses ir descansar não fazia mal. Que poderíamos marcar para outro dia. Disseste de imediato que não e dirigiste-te para o meu carro. Entraste no meu carro e ligaste o GPS. Percebi que íamos para o restaurante no meu carro, segundos depois disseste que tinhas o carro na outra Igreja. Liguei o carro e foste-me dando as indicações do caminho.
O caminho correu bem. Fomos a falar e estávamos alegres. O restaurante ficava na zona do Parque das Nações. Disseste-me que querias muito lá ir mas que sempre que tentavas estava fechado. Quando lá chegámos, o restaurante tinha muito pouca luz e, numa primeira impressão, parecia estar fechado. Mas, felizmente não. Veio de imediato um funcionário do restaurante à porta e convidou-nos a entrar.
O restaurante era muito bonito. Tinha um ambiente muito acolhedor e agradável, luz terna e suave, decoração com objetos antigos e cheios de história (mal eu sabia que aquela noite iria ficar na nossa história para sempre). Sentámo-nos e foste à casa de banho. Aguardei uns minutos e pediste para escolher dois petiscos para que ele escolhesse outros dois. Pedimos os quatro petiscos e de seguida foste com o funcionário do restaurante à garrafeira escolher o vinho que íamos beber. Voltaram com uma garrafa (com muita pena não me lembro do nome do vinho) e o funcionário serviu-nos o vinho nos copos e pediste-me
Muito bonito este amor
ResponderEliminarÉ muito belo sim mas também é muito doloroso. No entanto agradeço todos os dias ao Pai por me ter colocado tamanha beleza no coração
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